Migrantes participam de curso profissionais de Costura e de Salgados no Ceará

A ação é executada através da parceria entre SPS, Senac e Casa do Migrante



Entre linhas, botões e o som das máquinas de costura, Miza, Dandara e Ana transformam recortes de papelões em roupas e tecem suas realidades na partilha do sonho de ter um negócio próprio ou de adentrar no mercado de trabalho. Elas dividem a sala com outras alunas, brasileiras e migrantes, que juntas, estão aprendendo não só sobre maquinário, tecido, modelagem e vendas, mas também sobre a importância das trocas culturais. O curso é realizado através da parceria entre a Secretaria da Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos do Ceará (SPS), por meio do Programa Estadual de Atenção ao Migrante, Refugiado e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas; o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e a Casa dos Migrantes, que cedeu um espaço para as aulas de Costura e de Salgados. Ao todo, estão sendo capacitadas 26 pessoas, nas duas qualificações.

Natural da Guiné-Bissau, Morto Nogueira (35), a “Miza” já está no Brasil há mais de oito anos. Ela conta que veio para estudar, fez curso técnico de Meio Ambiente, mas o mercado foi ficando mais difícil na sua área e a africana precisou dedicar mais do seu tempo na criação dos três filhos: Domingos (9), Edimilson (5) e José Eduardo (3). “Meu sonho agora é ter um trabalho que possa fazer em casa, para poder cuidar deles e ter uma fonte de renda minha. Penso em investir depois em uma máquina de costura para criar lingeries e ter minha própria produção”, conta Miza, que divide as despesas de casa com seu companheiro.

Enquanto Miza relata sua história, os olhos de Dandara Firmino (41) brilham de orgulho pela trajetória de força e determinação das companheiras de curso. Dandara é mulher trans e precisou de coragem para enfrentar preconceitos e não abrir mão da sua identidade. “Eu admiro muito elas, me inspiro também na coragem que elas têm para transformar as dificuldades em oportunidades. Aqui nós aprendemos muito umas com as outras, seja sobre ousadia para enfrentar os problemas, seja um idioma novo, uma nova percepção... tem sido muito enriquecedor participar desta qualificação”, explica.

Novas Travessias
Ana Lucero (28) é venezuelana e chegou há um ano no Brasil, em busca de novas oportunidades de emprego para ela e seu companheiro, Davi, que é marceneiro. Mãe de Javier (8), Charlote (6) e Dana (3), Ana Lucero conta que sempre gostou de poder criar roupas a partir de ideias suas. “Eu moro aqui no bairro Presidente Kennedy e quando soube dessa oportunidade na Casa do Migrante logo me inscrevi para participar. Tenho tido manhãs muito proveitosas, cheias de aprendizados que serão um impulso para que eu alcance meus objetivos”, reforça Ana.

Programa Estadual
Gerido pela SPS, o Programa Estadual de Atenção ao Migrante, Refugiado e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas oferece atendimento para migrantes no Brasil. Entre as principais demandas está a regularização documental, para que se possa acessar políticas públicas de saúde, educação, assistência social, além de solicitações de visto laboral, por parte de refugiados, que buscam permanecer no País, e migrantes, após a conclusão de seus estudos.

O supervisor do Programa, Simão Castro, ressalta que as parcerias com instituições como Senac e Casa dos Migrantes têm sido muito positivas porque trazem oportunidades profissionais para os migrantes. “A realidade da migração é cada vez mais presente no nosso dia a dia e este público precisa do nosso acolhimento. Nestes cursos, temos migrantes de vários países que estão convivendo e aprendendo ao lado de brasileiros, que também estão aqui em busca de capacitação”, destaca Simão.

Mirela Torres é coordenadora da Casa dos Migrantes e ressalta que as parcerias vêm possibilitando o acolhimento dos migrantes em diversos aspectos. “Nos cursos, eles trocam muitas dicas e conhecimentos, o que enriquece todo o processo”, frisa Mirela Torres.

Lindimarcia Ramires, professora do curso de Costura do Senac, destaca que a capacitação é bem completa e faz parte do Eixo de Moda, com duração de quase três meses. “São 212 horas de aulas, e aqui nós vemos diversos conhecimentos, dentre os quais: Maquinário, Ferramentas de Trabalho, Modelagem. Depois do corte, elas passam para o preenchimento de ficha técnica e dentro disso vão entender a metragem que leva para cada peça que estão executando”, explica a professora.


Serviço
O atendimento aos migrantes pode iniciar pelo pelo WhatsApp, nos números (85) 98439-3462 / 98644-9482 e, caso necessário, podem ser marcados atendimentos presenciais para coleta de documentação e de informações importantes sobre a demanda de cada migrante.


Fotos: Pedro Santos.

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